A asa riscada é o acidente mais frequente ao mudar uma bracelete. É sempre evitável: basta o punção certo, o ângulo certo e a sequência certa. Eis a metodologia de oficina em 7 passos.
Escolha do punção: Ø 0,80 mm, ângulo 18°
O punção de colocação NÁO é um extractor de pinos improvisado: a sua ponta é cilíndrica nos últimos 2 mm e depois cónica a 18°. Esta geometria permite apoiar na ranhura da barra de mola sem escorregar.
- Ø 0,80 mm: cobre as ranhuras padrão das barras Ø 1,50 a 2,00 mm.
- Ângulo 18°: suave, não escorrega, não come a ranhura.
- Veja o nosso punção de colocação e o nosso kit de reparação completo.
Preparação do posto — 2 minutos
- Superfície de trabalho: tapete de fibra verde de relojoeiro (acumula riscos, mas é suave). Nunca sobre azulejo.
- Iluminação: candeeiro de pescoço orientado a 45° pelo lado direito da asa, sombra da barra de mola visível.
- Porta-caixa ou massa adesiva Rodico Bergeon — o relógio não deve mexer-se.
- Lupa 5× ou 10× em pinça frontal.
Extracção da barra de mola antiga — 4 passos
- Identificar o lado das cabeças móveis da barra de mola: é aquele em que a ranhura está visível na junção asa-bracelete (muitas vezes apenas uma das duas cabeças é retráctil).
- Inserir a ponta do punção na ranhura, punção mantido a 10° do plano da bracelete (quase paralelo), nunca perpendicular.
- Apoiar fazendo deslizar a cabeça móvel para o centro da barra — apenas 0,4 mm de compressão.
- Pivotar a bracelete para fora da caixa mantendo a compressão: a cabeça libertada sai da asa. Soltar: a outra extremidade cai sozinha.
📍 O ângulo de ataque correcto: 10° em relação ao plano, não 90°. A 90° o punção escorrega sobre a asa e risca-a.
Colocação da barra de mola nova — 3 passos
- Inserir primeiro a extremidade fixa (lado das cabeças não retrácteis) no respectivo furo de asa. A barra fica presa de um lado e livre do outro.
- Comprimir a cabeça móvel com o punção (sempre ângulo 10°, não 90°), fazendo deslizar a barra para a asa livre.
- Soltar a pressão: a cabeça encaixa no furo com um pequeno clique audível. Verificar puxando suavemente a bracelete: não deve mexer-se.
« O clique da barra de mola a encaixar é o único som que diz "está montada". Se não o ouvires, não está montada. »
Os 5 erros que riscam — a evitar a todo o custo
- Punção perpendicular à asa: uma derrapagem e a asa fica marcada para sempre.
- Punção demasiado grande (Ø 1,0 mm em ranhura 0,8): a ponta sai da ranhura e marca o metal.
- Faca de cozinha ou tesoura de unhas: sem ângulo cónico, derrapagem garantida, profundidade de risco 0,1 mm.
- Compressão excessiva (> 0,6 mm): deforma a mola, a barra deixa de aguentar, voltar à estaca zero.
- Trabalhar sem porta-caixa: o relógio roda sob pressão, o punção derrapa sobre a luneta.
FAQ
E se a minha barra de mola não tiver ranhura visível?
É um pino fendido (Omega, Breitling). Usa-se então um extractor de pinos Ø 0,80 ou Ø 1,00 mm directamente através do furo de asa — veja o nosso guia do extractor de pinos.
É preciso desengordurar a barra de mola nova antes de a colocar?
Não. As barras novas saem de fábrica sem gordura residual. Se tocou nas cabeças, basta passar uma camurça.
Como reparar uma asa riscada?
Risco superficial (< 0,02 mm): polimento com pasta Dialux Verde em tampão flexível. Risco profundo: passagem por polidor profissional, 40 a 80 € conforme o relógio.
Existe uma ferramenta "para o grande público" sem risco?
Sim, as barras de mola de colocação rápida (alavanca lateral) — sem ferramenta, acciona-se com a unha. São no entanto incompatíveis com braceletes de couro grosso e NATO. Veja a nossa barra de mola de colocação rápida.